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sábado, 3 de outubro de 2009

Yes, We Créu!


Tensão durante todo um dia. Quatro cidades - sendo três delas localizadas em países desenvolvidos - disputando qual seria escolhida a sede das Olimpíadas de 2016. O Rio de Janeiro era favorito, mas o discurso do rei espanhol Juan Carlos elevou as chances de Madrid. Estávamos nos perguntando se o Brasil realmente conseguiria impressionar o Comitê Olímpico Internacional. Particularmente, minhas expectativas não eram lá tão altas.

Mas então, para surpresa de todos, Chicago foi logo descartada. Nem mesmo o repórter da CNN acreditou que a cidade pudesse ser a primeira eliminada. Obama nem ficou para ouvir, saindo de Copenhague antes do anúncio da eliminação.

Os veículos de comunicação brasileiros piraram. A disputa, em tese, estava entre Chicago e Rio de Janeiro. Com Chicago eliminada, o que aconteceria em seguir?

O que todos previam aconteceu. Tóquio também foi eliminada.

Depois, o momento da pausa dramática. O anúncio da eliminação de Chicago e Tóquio aconteceu por volta de 12:30, e o anúncio decisivo da cidade escolhida seria dado apenas 13:30.

Coberturas especiais na Rede Globo e Globo News, povo carioca com a cara enfiada na televisão e na internet, esperando ansiosamente pelo anúncio. Uma multidão enchia as praias de Copacabana numa festa organizada para incentivar a candidatura do Rio de Janeiro.

E finalmente o anúncio saiu: o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida para sediar as Olimpíadas em 2016.

Os gritos ecoaram. Parecia que o Brasil havia feito um gol de desempate na final da Copa do Mundo. Twitters enloquecidos postavam "Yes, We Créu" - que chegou ao primeiro lugar como expressão mais postada. E os gringos se esforçavam para tentar entender a brincadeira.

Enfim, conseguimos. Mas a parte boa só virá daqui a sete anos. Por agora, o governo têm (com acento mesmo) muito trabalho pela frente, e, consequentemente, nós também temos. Trabalho para exigirmos uma Olimpíada bela, limpa, organizada e inesquecível; para exigirmos um Rio de Janeiro tão belo quanto o vídeo de Fernando Meirelles, para termos orgulho dos olhos do mundo voltados para nós.

Quando as Olimpíadas estiverem por aqui já vou ter 24 anos. Hoje tenho 17. Pode parecer muito tempo, mas pela quantidade de trabalho e a fleuma e burocracia com as quais as coisas acontecem no país, tenho minhas dúvidas quanto a relatividade deste tempo. Que ele seja suficiente e administrado com competência. Espero que um esforço coletivo seja feito para essas Olimpíadas, e que o legado dele realmente valha a pena. Que não aconteça o mesmo que aconteceu com as instalações do Pan-Americano de 2007 (alguém ainda ouve falar delas, por acaso?).

Mas hoje eu ainda grito: YES, WE CRÉU!

domingo, 6 de setembro de 2009

Indignação

Hoje não vou fazer nenhum post com poesias, devaneios romanescos ou um conto fantástico. Hoje o papo é sério, realidade nua, crua e indigesta.

Durante o início da manhã da sexta-feira passada (04/09), uma confusão se instaurou na boate paulista "A Loca", envolvendo os escritores e movimentadores culturais Liz Vamp e Kizzy Ysatis.

Não acompanho o trabalho dos dois de perto. Conheço o Kizzy graças ao livro "Clube dos Imortais: A Nova Quimera" e o admiro muito por tudo o que conseguiu como escritor, visto que a literatura fantástica brasileira ainda é bastante marginalizada. Não os conheço pessoalmente, nem mesmo alguma vez falei com um dos dois. No entanto, isso não me isenta de sentir indignação pelo fato ocorrido.

Tudo bem, vamos aos fatos.
"De acordo com o registro, a confusão começou depois que uma comanda que pertencia ao escritor (Kizzy Ysatis) foi encontrada no chão e ao ser chamado para pagar a conta, o rapaz disse que já havia pago e o funcionário do caixa chamou o gerente. Ainda segundo o relato da ocorrência, nesse momento começou uma discussão que terminou em agressões entre o escritor, a cineasta (Liz Vamp) e o gerente do local. Na delegacia, o gerente disse que apenas revidou as agressões dos clientes. "

Trecho da reportagem do G1, que pode ser lida integralmente aqui.
A reação dos amigos, familiares e admiradores de Kizzy e Liz foi quase instantânea. Logo, dezenas de blogs e sites vieram expressar a indignação por conta do caso. É o que estou fazendo agora. Espero - mesmo com toda a minha ceticidade acerca da justiça brasileira - que o caso se resolva com rapidez; que os culpados não fiquem impunes e que tudo possa ser esclarecido da melhor forma possível.

Vi as fotos de Kizzy no site da G1 e no pronunciamento que o próprio fez em seu blog pessoal, e não posso dizer que o que aconteceu foi um caso corriqueiro, uma bobeirinha à toa. Foi caso sério, e merece toda a atenção possível por parte das autoridades. Kizzy teve lesões no crânio e hematomas por todo o corpo, as fotos podem provar isso; o estabelecimento pouco - ou nada - fala sobre o assunto. Tamanho silêncio, por quais motivos?

Da minha parte, transborda indignação. Não só por ele ser escritor e ter todos os motivos do mundo para estar certo, mas por ser uma pessoa de bem que, sem motivos aparentes, foi espancado quase até a morte por uma futilidade desnecessária.

Desejo melhoras ao Kizzy - que certamente foi quem mais sofreu fisicamente - e força para Liz e para todos aqueles que os conhecem melhor do que eu conheço. Tenho certeza que o Kizzy vai se recuperar e vai voltar arrebentando!